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CRAI realiza coletiva de imprensa para anunciar o término do contrato

CRAI realiza coletiva de imprensa para anunciar o término do contrato

A coordenação do Centro de Referência de Atendimento ao Imigrante recebeu ontem representantes de vários veículos de comunicação para comunicar oficialmente que as atividades realizadas pela Ação Social Arquidiocesana (ASA) no CRAI findam nesta sexta-feira (20/09), com o término do contrato.

(Foto: Tiago Ghizoni)- NSC)

Após o coordenador do CRAI apresentar os trabalhos realizados no período da vigência do contrato, a senhora Karina Euzébio Gonçalves, Diretora de Direitos Humanos da Secretaria do Desenvolvimento Social de Santa Catarina também falou como será o atendimento ao migrante com o fechamento do CRAI.

Segundo, Karina, a partir de segunda-feira (23), imigrantes e refugiados em Florianópolis deverão procurar um dos 10 Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Defensoria Pública, e outros órgãos, para atendimento conforme a demanda do imigrante. Luciano Leite, coordenador do (CRAI), apresentou um balanço dos trabalhos realizados na gestão da ASA.

O período de execução foi de Fevereiro de 2018 à setembro de 2019.  Foram realizados 14.606 procedimentos através de 10.159 atendimentos. Atendidas pessoas de 60 nacionalidades.. Foram atendidos imigrantes de 39 cidades, de Santa Catarina e, incluídas neste número algumas cidades do Rio Grande do Sul. Além de  imigrantes em situação de rua.  Veja o relatório completo aqui.

Luciano, falou também que Santa Catarina antes da abertura do CRAI tinha referência entidades da sociedade civil que faziam seu trabalho através do voluntariado e de boa vontade. Dentro de um contexto em que imigração no Estado começou a crescer e estas entidades foram se inserindo no trabalho com imigração. Não foi algo planejado, pensado. Na medida que foi crescendo o contexto imigratório na cidade, no Estado, as cidades foram se adaptando, foram criando as formas atuar, pelos meios que tinham, através do voluntariado e da solidariedade das pessoas. Com  o centro de referência o Estado deu um passo além para constituir uma política pública, o CRAI é esta referência para as entidades, para os imigrantes, dialogar com outras políticas públicas, como a educação, a saúde, trabalho, previdência social, então o centro conseguiu ir se articulando na medida também que foi desenhando sua atuação, não tínhamos nada tipificado, de que forma um centro de referência devia atuar. Isto o CRAI na medida que foi passando o tempo e desenvolvendo o trabalho, ele foi constituindo sua forma de atuação dentro da realidade, do contexto que era possível, e com o fechamento perde os avanços conquistados.  Agora o imigrante perde um espaço de articulação de diversas politicas públicas e de orientação, tendo que o imigrante busca seus direitos em diversas instancias de atendimentos, sem ter conhecidos dos serviços ofertos,  maioria das vezes ele não  conhece a língua, e até mesmo os nomes das diversas instancias que podem ajudá-lo.

Para Wisly Jules , haitiano,da Associação  dos Imigrantes de Santa Catarina , que vive em Palhoça, a situação de um imigrante é muito delicada, principalmente pelas dificuldades com  língua, ele ressaltou que não é só receber o imigrante, mas também é preciso ajudar nas necessidades como um todo das pessoas que chegam e, necessitam de toda espécie de ajuda e informação, desde a parte documental, ajuda psicológica, inserção no mercado de trabalho, enfim, muitas necessidades, e no CRAI isto era feito muito bem.

 

O coordenador do CRAI disse, ainda que enquanto profissional, foi uma descoberta a questão imigratória em Santa Catarina, aqui em Florianópolis, onde esta inserido o nosso trabalho, o contexto imigratório muda constantemente, antes era o contexto dos imigrantes haitianos, que vinham somente homens que vinham para trabalhar, se manter na cidade e manter a família que ficou no Haiti, depois a gente vê a realidade da Venezuela, onde não são mais só os homens. Eles chegam com a família, para um novo recomeço, se inserir no mercado de trabalho, uma realidade totalmente diferente. Vimos quanto profissional que é um desafio enorme porque cada nacionalidade que vem e busca o Brasil e Santa Catarina, por causa de uma demanda específica.

Enquanto, profissional,  e como centro que atendeu 60 nacionalidades, percebemos a necessidade de um conhecido especializado para atuar com a questão da migração. Foi uma experiência enriquecedora,  acredito que o CRAI se encerra, mas deixa um grande legado de como estar atuando com a questão imigratória, de como estar fazendo a interface com as políticas públicas e como estar dialogando sobre elas. Ele se encerra, mas penso que ele deixa, um legado de que forma se trabalhar com a questão imigratória. Infelizmente, se volta agora a sociedade civil e se retorna o que era antes. Para ASA, enquanto entidade gestora deste projeto os trabalhos realizados cumpriram seu papel no atendimento ao migrante, indo além nos serviços prestados aos imigrantes.

Compartilhamos algumas matérias que foram veiculadas após a entrevista na mídia:

Imigrantes declaram preocupação com fechamento do Crai em Florianópolis

CRAI encerra atividades: imigrantes serão atendidas nos CRAS e DPU

Centro Estadual de atendimento aos imigrantes vai fechar, em Florianópolis

Sem CRAI: centro que atende imigrantes e refugiados encerra as atividades

Fonte: Olga Oliveira – Jornalista (004257) – Assessora de Comunicação da Ação Social Arquidiocesana (ASA)